“A mulher Africana foi o primeiro ser a ser agredido de todas as formas”, disse Filipe Vidal na pré-estreia do filme documental Black Woman.
Black Woman, é um filme documental, da produtora Kimpa-Vita, feito pelo produtor Nfumu Ntono Dikizeko Matuzeyi. O filme, cuja estreia está marcada para o dia 31 de Julho, nos cinemas nacionais, retrata a vida da mulher preta, e “foi criado com a finalidade de resgatar a nossa cultura e convidar as nossas mulheres a regressar e defender a nossa cultura e sobretudo levar a cultura africana para o mundo inteiro, porque é a mulher que gera, é a mulher que cria, e se a mulher africana for educada, toda sociedade será educada”, disse o produtor.
A equipa de reportagem do Correio da Kianda, esteve na pré-estreia do filme, onde ouviu alguns participantes. O historiador Filipe Vidal frisou que ao participar do filme, almeja “contribuir para a mudança de consciência, pois tudo começa na mente, no nosso coração e depois vai até o nosso sexo e o nosso desejo, esses são pilares para uma sociedade”.
“O mundo é regido por uma matriz que se chama tempo, e o único ser que consegue reger o tempo da melhor forma é a mulher porque tem pulsações uterinas, essas pulsações uterinas passam pela mente da mulher”, disse e continuou:
“A mulher africana foi o primeiro ser agredido, a mulher africana foi agredida de todas as formas, África é um continente por natureza matrilinear, mas passou a ser um continente patrilinear, e um filme como esse muda totalmente o horizonte e a consciência de toda a sociedade africana, de toda sociedade angolana, em particular”.
Filipe Vidal defendeu que se um filme como este passar pelas cadeias televisivas consegue-se mudar a narrativa e, sobretudo, a nossa geografia emocional, pois foram focados aspectos que vão desde a economia, política, sexualidade, sistema de defesa, “e lembrar que a mulher é o imperativo de tudo, a mulher desde a antiguidade foi deusa de tudo, deusa da guerra, deusa da sabedoria, deusa do comércio, deusa do conhecimento em absoluto, então este filme consegue fazer essa mudança radical de pensamento”.
Participaram também do filme, a poetisa Aminata Goubel (Mamã África), a Tricologista Du Gonçalves Kukubica, Marlene Ndinelão, Mwene Kanjika, Fernanda Caroline, Cumbelembe Caluasse.
Segundo o realizador Dikizeko Matuzeyi, o filme vem para contrapor o fenómeno globalização, que trás dois acidentes históricos como a colonização e o escravagismo, que tentou mudar a genética da mulher africana, e também o homem africano em geral, daí surgiu a ideia de fazer um documentário a fim de explicar às nossas mulheres “que elas não podem ser cópias das mulheres ocidentais ou asiáticas, porque não podemos ser cópias de outras raças”.
O realizador falou também das dificuldades que encontrou para gravar o filme, onde frisa que a falta de financiamento é o grande calcanhar de Aquiles, pois para a realização de qualquer filme sempre faltam muitas coisas.
“Com o nosso pouco, com este amor que temos pelo nosso continente, pegamos no nosso bolso e investimos no cinema, temos muitos projetos e se nos abrirem a mão será muito bom”, disse.
A tricologista Du Gonçalves Kukubica, acrescentou o grande valor que o filme trás naquilo que é a educação das mulheres angolanas, pois trás um conjunto de valores, ensinamentos, princípios, de saber estar, saber ser, saber lidar, saber conviver, logo não tem como as mulheres assistirem o filme e não mudarem de comportamento pois na cosmovisão africana a mulher é mãe é educadora então deve ser mulher de referência, uma mulher com um perfil vertical, uma mulher com perfil que inspira confiança.
Questionada sobre em que plataforma gostaria que o filme passasse, Du Gonçalves disse que seria na Netflix, pois na sua visão “sonhar é vida”.
Já a poetisa Aminata Goubel (Mamã África) disse que o documentário pretende influenciar na vida das mulheres que não se reveem na africanidade, “vai resgatar os nossos valores, a nossa vaidade, porque as vezes é preciso puxar pelas outras mulheres e conversar, pois há mulheres que as vezes ficam com vergonha de usar um pano ou um colar africano, e frisa que o Europeu quando vem para Angola quer ver uma mulher na sua maneira de estar como africana, logo este filme só vem lembrar o quanto somos belas, somos resilientes, temos uma força espiritual que nos orienta e que devemos respeitar os nossos ancestrais, os valores que os nossos ancestrais deixaram”.
“Eu recebi o legado da minha mãe, da minha avó, tenho exemplos de grandes Rainhas de Angola que eu li e ouvi falar e isso só nos inspira, pelo trabalho que faço tenho influenciado várias mulheres, e tenho orgulho disso porque sinto que estou a passar o legado”, disse.
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