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O país entre a rua e o protagonismo político

Depois da mais recente manifestação em Luanda, voltamos a ver o velho filme de sempre: manifestantes a queixarem-se de agressões e repressão por parte da polícia, e a Polícia Nacional a garantir que usou apenas “força moderada e não letal”, sem qualquer dano material ou humano.

Quem está a dizer a verdade? Não cabe a nós fazer julgamentos precipitados. Mas cabe sim questionar a forma como a narrativa é disputada, tanto pelo lado dos promotores dos protestos como pela própria corporação policial, e, em paralelo, pela oposição, que insiste em colar-se a todo e qualquer movimento de rua como se fosse sua propriedade política.

De um lado, os promotores da manifestação contabilizam sete detidos e 17 feridos. Do outro, a polícia afirma que não houve detenções e que os ferimentos foram todos leves. Segundo o porta-voz Mateus Rodrigues, a actuação da corporação seguiu três fases: antes, durante e depois do protesto. E o ponto de tensão, segundo ele, foi o “roteiro ilegal” proposto, do Mercado do São Paulo até à Assembleia Nacional.

Não há dúvida de que o direito à manifestação é sagrado numa democracia. Mas também é verdade que esse direito deve ser exercido com responsabilidade e dentro do quadro legal. A polícia, por sua vez, deve proteger esse exercício, e não usá-lo como desculpa para abusos.

Entretanto, há um detalhe que não pode continuar a passar despercebido: até onde querem ir os chamados activistas? O activismo não pode ser transformado numa profissão, como muitos tentaram fazer no passado, um negócio de angariar fundos, gerar mártires e fabricar protagonismos mediáticos.

As manifestações devem ser um instrumento da cidadania, não uma estratégia de sobrevivência política ou pessoal. E devem manter-se cívicas, sem bandeiras partidárias, sem tentativas de instrumentalização por parte de uma oposição que, em muitos momentos, parece mais interessada em visibilidade do que em resultados concretos para o povo.

O país precisa de maturidade. De um lado, uma polícia que entenda o seu papel como garante da ordem e não como força de intimidação. Do outro, manifestantes que saibam distinguir entre o activismo legítimo e o oportunismo político disfarçado de indignação popular.

O verdadeiro desafio é esse: construir um espaço onde os protestos sejam respeitados e os direitos de todos (manifestantes ou não), sejam protegidos. Sem rebuçados, sem porretadas… e, principalmente, sem manipulações.

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