Angola lançou um apelo directo e contundente à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), exigindo menos declarações simbólicas e mais acção concreta no combate à fome e à insegurança alimentar que ainda afecta milhões nos Estados-membros.
A proposta foi apresentada pelo ministro das Relações Exteriores, Téte António, que, em nome do Presidente João Lourenço, defendeu a criação urgente de uma Plataforma CPLP para a Soberania Alimentar. O mecanismo, segundo o diplomata, visa facilitar intercâmbio de boas práticas, mobilização de recursos e cooperação técnica, com foco na produção alimentar sustentável e moderna.
“A fome não espera e a insegurança alimentar não respeita fronteiras. O tempo de agir é agora”, disse Téte António perante os Chefes de Estado e representantes da CPLP, num discurso que marcou o tom da XV Conferência de Chefes de Estado e de Governo, realizada em Bissau.
Ao sublinhar que a segurança alimentar é hoje um imperativo estratégico, o governante angolano lembrou que Angola já está a avançar com iniciativas concretas no terreno, como o Plano de Desenvolvimento das Agrovilas, o Programa de Agricultura Comercial, e a formação de mais de 1,2 milhões de famílias camponesas através das chamadas Escolas de Campo.
“Temos uma revolução silenciosa a acontecer nos nossos campos. E queremos que a CPLP seja mais do que uma comunidade linguística: que seja uma aliança estratégica para o desenvolvimento humano”, reforçou.
A proposta angolana, considerada ambiciosa, acontece num momento em que o continente africano enfrenta crises alimentares agravadas por conflitos, mudanças climáticas e fragilidade nas cadeias de abastecimento. Téte António deixou claro que a experiência nacional está pronta para ser partilhada desde a produção agrícola até à inclusão produtiva em comunidades vulneráveis.
A iniciativa recebeu atenção especial dos líderes presentes, incluindo os Presidentes de Cabo Verde, Moçambique e São Tomé e Príncipe, além do anfitrião Umaro Sissoco Embaló e do secretário executivo da CPLP, Zacarias da Costa.
Para Angola, a soberania alimentar não é retórica de palanque, mas uma batalha pela sobrevivência e dignidade dos povos da lusofonia. A proposta angolana deixa um recado claro: os tempos de discursos vazios devem dar lugar a compromissos concretos e medidos em hectares cultivados, bocas alimentadas e vidas resgatadas da pobreza.
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