Análise de Dereck Mulatinho
No próximo mês de Agosto, os Estados Unidos da América vão lançar um pacote tarifário unilateral que reconfigurará profundamente as estruturas do comércio global. Com tarifas de 30 por cento sobre produtos oriundos da União Europeia e do México, 35 por cento sobre os do Canadá, e 50 por cento sobre o Brasil e sobre o cobre, esta iniciativa insere-se numa lógica mais ampla de hegemonia industrial, contenção geopolítica e mobilização eleitoral interna.
Embora a disputa seja formalmente entre grandes potências, os seus efeitos colaterais alastrarão por canais cambiais, tarifários, tecnológicos e logísticos, atingindo economias intermédias e periféricas, como Moçambique, com implicações potencialmente graves, mas também com janelas estratégicas de oportunidade.
IMPACTOS REAIS SOBRE MOÇAMBIQUE
Moçambique exporta cerca de 4,3 mil milhões de dólares em gás natural liquefeito (GNL) por ano, o que representa aproximadamente 30 por cento das receitas externas. Uma queda de 20 por cento no preço internacional, derivada da menor procura ou da guerra tarifária, resultaria numa perda directa de cerca de 800 milhões de dólares por ano.
Simultaneamente, a dívida externa do país, indexada ao dólar, encarecerá, uma vez que uma desvalorização do metical em 20 por cento implica um acréscimo de 180 milhões de dólares por ano no serviço da dívida. E o efeito interno é imediato: a inflação poderá subir entre 3 e 4 pontos percentuais, impactando sobretudo nos bens importados e alimentos essenciais. Leia mais…
O conteúdo Tarifas globais, riscos e caminhos para a soberania económica de Moçambique aparece primeiro em Jornal Domingo | Compromisso com os factos.















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