Só quem nunca criou nada do zero é que aprova o vandalismo. Só quem não produz, não corre atrás, dando passos para o crescimento é que aprova vandalismo, porque aquele que sabe o que é começar do zero um projecto, perder noites, lutar para erguer uma loja, uma cantina, implementar um sonho, um projecto, choros, falta de apoio, desgaste emocional, sabe a dor de ver o seu bem vandalizado.
Nem todo mundo conseguiu os seus bens pelo governo ou partidos políticos, existem pessoas que começaram do zero, do nada, juntaram dinheiro, salários, créditos, aplicações, kixiquilas, para erguer uma estrutura. Abdicaram de outros prazeres da vida, para implementar e construir um projecto, e de repente ver o seu bem destruído com aplausos, com júbilo.
Uma paralisação dos taxistas que tinha tudo para ser tranquila, pela importância que os mesmos representam principalmente na cidade de Luanda, que, sem táxi é difícil circular, acabou por gerar uma onda de aproveitamento que, ainda se está por apurar os prejuízos da mesma. Toda manifestação é necessária, ajuda de certa forma a quem governa, para tomar melhores decisões, mas, quando estas resvalam em perdas humanas e materiais, temos de repensar tudo.
E agora, atingimos os objectivos?
Que mensagem ficou latente com estes aproveitamentos? Será que a fome também implica retirar arcas, geladeiras, telemóveis, computadores e ar condicionados e outros bens materiais? Queimar carros, autocarros, partir vidros de carros, agressões fisicas, também é fome? Este saque vai acabar com todos os nossos problemas? Ou vai aumentar?
A Sociologia Política remete-nos a introspecções, questionamentos, fazer avaliações e, quem são os maiores prejudicados desta situação? Sem dúvidas que é o povo, que trabalhava nestes supermercados, nestas lojas, que vão ficar sem emprego, e poderão não ser indeminizados, porque o património onde tinha seu salário ficou completamente destruído.
E as consequências? Quanto investimento privado nacional e estrangeiro abrandará? Quantos empresários repensarão o doing business em Angola? Mais uma vez é o pobre que sai a perder, é camada baixa que vai ter dificuldades, pois com menos oferta no mercado, não corresponderá a demanda, e sem demanda, os preços dos produtos acabarão por subir, e, é o pacato cidadão humilde que vai ter de acarretar com estas consequências de forma directa.
E agora, atingimos os objectivos?
Sabemos que não é nada de novo, que no mundo afora, boa parte das manifestações terminam desta forma, mas não temos o mesmo nível de desenvolvimento da França, como os coletes amarelos fizeram em Paris, nosso desafio é outro, consolidar os ganhos até aqui já alcançados.
O dia seguinte (after day) é o que nos espera, e, levará tempo para tudo voltar ao normal, para voltar a confiança, o sentimento de segurança, que não se constrói num dia, leva tempo. E as mortes que não tem volta, os ferimentos, a destruição de bens públicos, queima de autocarros que todos precisam, contentores de lixo, quem pagará e em quanto tempo? Reflictamos.
Auguro que aprendamos muito com estes episódios, quer o povo, quer o governo, precisamos conjugar esforços, juntar sinergias e reunir consensos, para que exista equilíbrio, ouvir mais, ceder mais, consultar mais. Somos todos partes fundamentais para a consolidação de uma sociedade estável e desenvolvida. Sem a comungação de sinergias, não há vencedores nem vencidos.
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