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Especialistas defendem reformas na gestão pública e maior autonomia local para impulsionar economia angolana

Dois especialistas em administração pública e economia defenderam, a necessidade de Angola apostar em reformas profundas na gestão pública, no tratamento de dados estatísticos e no fortalecimento das administrações locais, como caminho para acelerar o desenvolvimento económico e garantir políticas públicas eficazes.

Durante um debate sobre governance e crescimento económico, o especialista em Gestão e Administração Pública Denílson Duro destacou que o país precisa aprimorar os mecanismos de tratamento e interpretação de dados, sublinhando que “existem caminhos para implementar um sistema de tratamento para todos, mas isso depende do tipo de instituição responsável por esse processo”.

Segundo o académico, a produção e fiabilidade dos dados oficiais continuam a ser um dos maiores desafios do país.

“Os nossos dados estatísticos são discutidos, divergentes e, muitas vezes, difíceis de ler. Há sempre um ‘porém’. Falta coerência, falta clareza”, alertou. Duro defendeu que políticas públicas bem-sucedidas exigem diagnósticos precisos, acrescentando que “uma política pública é uma ideia que só ganha vida quando faz parte de um processo estruturado de desenvolvimento”.

O especialista também chamou atenção para propostas legislativas recentes apresentadas no Parlamento, cujos impactos económicos caso venham a ser aprovadas, dependem de uma visão integrada e não apenas de medidas isoladas. “Já tivemos muitas medidas. O importante é transformar ideias em processos consistentes, e não acumular decisões avulsas”, afirmou.

Por sua vez, o economista Fábio Manuel considerou que Angola está a atravessar uma fase de aprendizagem acumulada ao longo de meio século de independência, o que pode abrir espaço para um futuro mais equilibrado e sustentável.

“O principal caminho passa por investir no capital humano. Precisamos investir mais nas pessoas, na formação e na capacidade técnica”, defendeu.

O economista apontou ainda fragilidades no modelo de gestão administrativa, defendendo a transição de um sistema excessivamente centralizado para uma administração desconcentrada.

“É preciso dar mais liberdade e autonomia às administrações locais. Há muito tempo ouvimos que a vida acontece nos municípios, mas, na prática, isso ainda não se reflete nas ações concretas”, criticou.

Com o avanço das tecnologias e da digitalização global, Fábio Manuel reforçou que Angola precisa acompanhar a transformação digital para melhorar processos, aumentar a transparência e promover a eficiência governativa.

“O mundo é tecnológico. Precisamos dominar as ferramentas digitais, conhecer profundamente os nossos sistemas e não operar de forma mecânica”, concluiu.

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