O Banco Nacional de Angola (BNA) prevê que a economia angolana registe um crescimento de cerca de 3,5% em 2026, impulsionado sobretudo pelo desempenho do sector não petrolífero. Apesar das perspetivas positivas para a actividade económica, a inflação deverá manter-se elevada, continuando a pressionar o custo de vida das famílias.
De acordo com o governador do BNA, Manuel Tiago Dias, que revelou hoje, 14, os dados, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) será sustentado por uma expansão estimada em 4,5% do sector não petrolífero, enquanto o sector petrolífero deverá registar uma recuperação modesta de 1,1%, após uma contração de 4,6% em 2025.
No entanto, o banco central estima que a taxa de inflação se situe em 13,5% em 2026, abaixo dos 15,7% registados em 2025, mas ainda num nível considerado elevado para as famílias, cujo poder de compra continua condicionado pelo aumento generalizado dos preços.
Segundo Manuel Tiago Dias, a desaceleração da inflação deverá ser sustentada pela manutenção de um nível de liquidez compatível com o crescimento económico e pela relativa estabilidade dos preços dos bens alimentares no mercado internacional, factores que contribuem para um ambiente macroeconómico mais equilibrado.
No sector financeiro, o ‘stock’ de crédito à economia em moeda nacional atingiu 7,37 mil milhões de kwanzas em dezembro de 2025, representando uma expansão acumulada de 22,6%, o equivalente a um aumento de 1,36 mil milhões de kwanzas face ao período homólogo. Ainda assim, especialistas alertam que o acesso ao crédito continua limitado para grande parte das famílias e pequenas empresas.
O governador destacou igualmente a aceleração da digitalização do sistema de pagamentos ao longo de 2025, um factor com impacto positivo na inclusão financeira. O aumento das transações na rede Multicaixa, a maior adesão aos pagamentos instantâneos através do sistema Kwik, a utilização crescente de códigos QR e a expansão de 12% do número de caixas automáticas refletem a modernização do sistema financeiro.
No mercado cambial, a oferta de divisas no mercado primário aumentou 23% em 2025, atingindo 9,689 mil milhões de dólares, contribuindo para a estabilidade da taxa de câmbio. A este volume somam-se cerca de 12 milhões de dólares provenientes do Tesouro Nacional e do Banco Nacional de Angola.
As reservas internacionais fixaram-se em 15,9 mil milhões de dólares no final de 2025, registando um aumento de 136 milhões de dólares face ao ano anterior, assegurando uma cobertura de 7,6 meses de importações de bens e serviços.
Apesar dos indicadores macroeconómicos favoráveis, analistas sublinham que o principal desafio continua a ser a tradução do crescimento económico em melhorias concretas nas condições de vida da população, num contexto em que a inflação permanece um factor determinante na pressão sobre os rendimentos das famílias angolanas.
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