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China elimina tarifas para exportações africanas, mas benefícios dependem da produção local

A partir de 1 de maio de 2026, 53 países africanos que mantêm relações diplomáticas com a China passarão a exportar para o gigante asiático sem pagar tarifas alfandegárias, uma medida que promete reduzir custos e abrir novas oportunidades comerciais para o continente.

O anúncio foi feito este sábado, 14, pelo Presidente chinês, Xi Jinping, numa mensagem enviada por ocasião da 39.ª Sessão Ordinária de Chefes de Estado e de Governo da União Africana, que decorre em Adis Abeba, na Etiópia.

Segundo Xi Jinping, a iniciativa visa expandir o acesso das exportações africanas à China através da atualização dos chamados “canais verdes”, reforçando o comércio de alto padrão e promovendo o desenvolvimento económico mútuo. Na prática, a medida significa que produtos africanos desde matérias-primas a bens transformados  poderão entrar no mercado chinês sem encargos alfandegários, aumentando a competitividade e as margens de lucro para exportadores africanos.

O Presidente chinês contextualizou a decisão no histórico de 70 anos de relações diplomáticas entre China e África, destacando a parceria como uma alavanca para aprofundar a cooperação, fortalecer a amizade e consolidar uma “comunidade com futuro compartilhado”.

Apesar das oportunidades anunciadas, especialistas contactados pelo Correio da Kianda, apontam riscos e desafios. A isenção tarifária não garante automaticamente crescimento económico sustentável, será necessário que os países africanos aumentem a capacidade de produção, diversifiquem as exportações e melhorem a qualidade dos seus produtos. Sem investimentos em infraestrutura, logística e industrialização, há o risco de que apenas sectores tradicionais, como minerais e produtos agrícolas, se beneficiem, limitando o impacto real sobre o desenvolvimento económico local.

A medida também coloca África sob a necessidade de planeamento estratégico, reduzir tarifas é apenas um passo, mas o sucesso dependerá da capacidade dos governos e empresas de transformar esse acesso em exportações efectivas e competitivas. Para o continente, a decisão representa uma janela rara de oportunidade, mas igualmente um desafio de modernização industrial e de fortalecimento de cadeias de valor, caso se queira traduzir o benefício em crescimento real e sustentável.

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