O plano do Governo de alargar a base tributária, incluindo trabalhadores do sector informal no pagamento do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRPS), está a gerar preocupação e críticas em Menongue, província do Cubango.
A proposta, já aprovada na generalidade pela Assembleia Nacional, pretende abranger actividades como zungueiras, taxistas, cobradores de táxi e influenciadores digitais. No entanto, no terreno, muitos cidadãos dizem que a medida chega num momento em que faltam condições básicas para garantir a sobrevivência.
Em Menongue, a principal preocupação não é apenas pagar impostos, mas a ausência de soluções concretas para os problemas do dia-a-dia.
Carlos Tchissola, taxista, em declaração ao Correio da Kianda, afirma que a prioridade devia ser melhorar as condições de trabalho.
“Antes de pensarem em cobrar mais, deviam arranjar as estradas e baixar os custos. Assim fica difícil trabalhar e ainda pagar imposto”, disse.
No mercado do Paz, Ana Paulo, zungueira, fala das dificuldades para sustentar a família.
“Há dias que não vendo quase nada. O pouco que consigo é para comida. Não dá para pensar em impostos”, lamentou.
Já Domingos Kavita, cobrador de táxi, considera que o Estado está a inverter as prioridades.
“O Governo devia primeiro ajudar o povo a ter melhores condições. Só depois é que se pode falar de impostos”, defendeu.
As críticas também chegam de jovens que actuam no digital. Marta Chissonde, criadora de conteúdos, admite a importância de organizar o sistema fiscal, mas diz que isso deve ser feito com equilíbrio.
“Não somos contra contribuir, mas é preciso criar oportunidades. Sem isso, só vai complicar mais a vida”, explicou.
O sentimento comum entre os cidadãos de Menongue é de que o Executivo está distante da realidade vivida pela maioria da população, que depende do sector informal para sobreviver. Muitos defendem que, antes de aumentar a cobrança, o Governo deve investir em emprego, formação profissional, acesso ao crédito e melhoria dos serviços públicos.
A poucos meses de maior pressão política no país, o debate em torno da tributação do sector informal ganha força, com cidadãos a deixarem uma mensagem clara: antes de novos impostos, são necessárias soluções concretas para melhorar as condições de vida.
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