O desemprego juvenil à escala global está a ser impulsionado de forma determinante pelas incertezas económicas mundiais, contrariando a tese de que a inteligência artificial seja a principal ameaça imediata para os jovens que procuram ingressar no mercado de trabalho. A posição foi defendida por Jonas Prising, director executivo do Manpower Group, que aponta a instabilidade macroeconómica como o factor primordial para a actual retracção nas contratações globais.
O verdadeiro impacto da tecnologia no emprego
De acordo com o líder da multinacional de recursos humanos, embora a inteligência artificial esteja a transformar rapidamente o ambiente corporativo, o seu papel actual não deve ser associado directamente à escassez de oportunidades para as camadas mais jovens. Jonas Prising esclarece que o verdadeiro desafio das organizações reside na capacidade de liderança e na gestão de mudança necessária para incorporar estas novas ferramentas digitais nos seus processos de negócios, promovendo a evolução das funções em vez da sua pura eliminação.
Necessidade de gestão de mudança nas organizações
O responsável máximo do Manpower Group defende que as empresas precisam de estruturar planos de transição robustos para capacitar a força de trabalho existente. Em vez de reduzir os quadros, o foco das lideranças deve centrar-se na requalificação profissional, permitindo que os novos colaboradores tirem partido das ferramentas tecnológicas para aumentar a produtividade. Deste modo, a desaceleração na criação de emprego é atribuída à prudência financeira das empresas face às oscilações dos mercados internacionais, e não à automação de processos.
A análise apresentada pelo especialista sublinha que a conjuntura económica actual impõe uma postura de forte cautela por parte dos empregadores globais. Com as pressões inflacionistas e as flutuações nas taxas de juro a condicionarem os investimentos das grandes corporações, o mercado de trabalho ressente-se de forma generalizada. Esta conjuntura afecta directamente a integração de jovens talentos que buscam a primeira oportunidade de emprego, exigindo reformas estruturais na ligação entre as instituições de ensino e o sector empresarial.
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