O Estado angolano já utilizou as receitas adicionais resultantes da subida do preço do petróleo para financiar o Orçamento Geral do Estado (OGE), sem recorrer a mais endividamento.
A ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, explicou em declarações à RNA que o dinheiro extra do petróleo ajudou a financiar várias despesas do OGE e a reforçar a execução das actividades previstas.
Em reacção, o especialista em economia do desenvolvimento, Celestino Lumbungululu, defende uma explicação pormenorizada por parte das autoridades angolanas, sobre os valores arrecadados e os utilizados para este financiamento do OGE agora anunciado.
“A ministra das Finanças pode se limitar em dizer que os excedentes do petróleo foram usados para financiar o OGE, é muito mais que isso. O Governo deve explicar ao pormenor e provar documentalmente com estatísticas de gastos, quais são os sectores em que foram aplicados estes valores”, disse.
O especialista que se mostra preocupado com esta posição do governo angolano, revela que seriam arrecadados durante o período de acentuado da crise no Médio Oriente, quase 55 dólares a mais tendo em conta as projecções do OGE-2026.
“O país viveu um bom momento em termos de arrecadação petrolífera, de 55 dólares durante a tensão no Médio Oriente, e o governo não pode se limitar em dizer que usou para financiar o OGE, tem de prestar contas com o povo e provar onde aplicou o dinheiro”, disse, alertando sobre os perigos das percepções que esta narrativa da ministra pode causar para a imagem do governo.
Referir que Vera Daves de Sousa sublinhou ainda que estas receitas adicionais também permitiram ao país acelerar o pagamento da dívida pública, avaliada em 57,6 biliões de kwanzas.
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