A escritora Pulguera Van-Dunen defendeu este sábado, 28, a inclusão de contos tradicionais no sistema de ensino, de modos a que as crianças conheçam e aprendam também a oratura como um capítulo da literatura em Angola.
A também actriz que falava aos jornalistas no final da décima terceira edição do projecto Estórias do Embondeiro, promovido pelo Centro de Ciência de Luanda (CCL) em parceria com o escritor José Luís Mendonça, na zona baixa da capital do país.
Segundo a escritora começou por afirmar que o projecto é “interessante e importante, porque permite conhecer a nossa cultura e transmitir às gerações mais novas, aspectos da nossa cultura e a literatura oral é uma das formas de transmitir a nossa cultura, os nossos valores”.
Pulquera Van-Dunen sublinhou a lição moral contida em todas as estórias contadas como sendo edificantes para a educação das crianças, o que segundo fez saber expressa a forma como as pessoas vêm o mundo.
Mostrou-se, entretanto, preocupado com o facto de as crianças estarem actualmente mais familiarizadas com estórias de origem ocidental.
“Muitas das crianças que aqui estão não conhecem as nossas estórias, não sabem sequer o que é Catuitui”, disse.
Questiona sobre as possíveis razões do desconhecimento, Pulquera Van-Dunem atribuiu responsabilidade aos pais, “porque muitos, se calhar também não sabem”, tendo exortado a procurar por espaço e a criar oportunidades para aprenderem.
O Estado angolano é outro elemento que na perspectiva de atriz, deve ser chamado à responder por está situada.
“Lembro-me que nos primeiros anos de Independência isso fazia parte dos currículos escolares”, lembrou, acrescentando que os mais velhos hoje só conseguem contar porque “naquela época”, aprenderam.
Pulquera Van-Dunen acredita mesmo que a internet também pode ser um lugar para procurar por contos, para aqueles que não sabem onde encontrar, tendo sugerido as obras de Óscar Ribas como a melhor opção.
Quando questionada sobre a falta de políticas literárias viradas para o incentivo à oratura a estoriadora respondeu que “eu penso que sim. Nós precisamos dar uma revira volta às matérias que são dadas, procurarmos ter uma carga curricular mais virada para nós, mais virada para a África, do que virada para outros espaços geográficos”.
Além de Pulquera Van-Dunen, a décima terceira edição contou com uma narradora convidada. Trata-se da jovem Bernardeth Bartolomeu, também atriz que contou duas estórias.
Para ela, foi uma honra partilhar com as crianças contos que ensinam amor, sinceridade e “a não ser mentiroso”.
O conteúdo Defendida inclusão de contos tradicionais no sistema de ensino aparece primeiro em Correio da Kianda – Notícias de Angola.















Deixe um comentário