O Banco de Moçambique (BdM) voltou a manifestar preocupação em relação ao agravamento do endividamento público interno e o seu impacto no funcionamento do mercado financeiro.
Excluindo contratos de curto prazo e responsabilidades em mora, a dívida está actualmente em 465,8 mil milhões de Meticais, o que representa um crescimento de 50,3 mil milhões de Meticais em relação a Dezembro de 2024.
O persistente atraso no pagamento dos instrumentos da dívida pública interna pelo Estado tem reduzido a apetência por títulos públicos e contribuído para a rigidez das taxas de juro no mercado monetário interbancário. Esta informação foi apresentada, na sexta-feira, em Maputo, pelo Governador do BdM, Rogério Zandamela, durante o anúncio de uma nova redução da taxa de juro de política monetária (taxa MIMO), que passa de 9,75 por cento para 9,50 por cento.
Segundo o governador, esta decisão resulta do agravamento dos riscos e incertezas associados às projecções da inflação, com destaque para o atraso no pagamento dos instrumentos da dívida pública interna pelo Estado.
Apesar de pressões, a inflação mantém-se controlada. Em Outubro, fixou-se em 4,8 por cento, depois de ter estado em 4,9 por cento em Setembro. A inflação subjacente, que exclui produtos mais voláteis como frutas, vegetais e bens administrados, também abrandou.
Zandamela sublinhou que, no médio prazo, a manutenção da inflação num dígito depende sobretudo da estabilidade do Metical e da tendência favorável dos preços internacionais das principais mercadorias importadas. “Temos um ambiente relativamente estável, mas sujeito a riscos acrescidos”, disse.
O Comité de Política Monetária (CPMO) alerta que os riscos e incertezas associados à inflação permanecem elevados no médio prazo. Entre estes riscos, destacam-se os efeitos dos choques climáticos, a lentidão na reposição da capacidade produtiva e na oferta de bens e serviços, e, sobretudo, o já referido atraso no pagamento dos instrumentos da dívida pública interna.
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