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Fragilidade do sistema fomenta volume de crédito mal parado, diz economista

O economista José Lumbo disse nesta terça-feira, 16, à Rádio Correio da Kianda, que mais do que a incapacidade de um agente económico deficitário não retornar o valor emprestado a instituições bancárias, a fragilidade do próprio sistema financeiro angolano pode, a certa medida, fomentar o volume de crédito mal parado.

O crédito mal parado refere-se a empréstimos que não são pagos dentro dos prazos acordados, resultando em dívidas incobráveis e consequências financeiras graves.

O economista disse que o não reembolso do capital emprestado, é muito às vezes motivado pela fragilidade identificada pelos agentes económicos no próprio sistema.

José Lumbo apela assim a responsabilização civil e criminal dos agentes prevaricadores, por formas às autoridades resolverem a problemática do alto índice do crédito mal parados e os riscos associados a concessão dos créditos em Angola.

Para o especialista, é necessário que os bancos comerciais desencardem um processo de acompanhamento técnico do projecto solicitante do crédito, e lança alerta para que se preste atenção sobre os níveis de inflação, a taxa de câmbio e de juros, os bens adquiridos, para que sejam levados em consideração para que os projectos de investimentos não resultem em crédito mal parado.

José Lumbo disse ainda ser importante realçar que “o crescimento da economia tem um impacto significativo quando a política creditícia é fluida, quando existem créditos, e quando a economia concede créditos aos agentes, pelo que defende o envolvimento da academia para resolução da problemática do crédito mal parado em Angola”.

“Só que estes créditos devem ser acompanhados, daí lançamos um alerta para a Ordem dos Economistas, que tem estado a adormecer para que preste atenção as estes aspectos de acompanhamento dos projectos de concessão de crédito” sinalizou.

Importa referir que a secretária de Estado do Orçamento, Juciene Cristiano de Sousa, afirmou, a 3 de Julho deste ano em Luanda, que cerca de 20% do crédito bancário em Angola está em situação de incumprimento.

Este é um número, por si só, de acordo com a governante diz quão urgente é a consolidação de mecanismos eficazes de recuperação e reestruturação, por constituir um peso significativo na economia.

A responsável apresentou estes dados, durante a 1ª Conferência Internacional sobre Recuperação de Empresas e Insolvência, promovida pela Recredit- Gestão de Activos.

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