O panafricanista Eugénio Faraó afirmou, durante entrevista ao Programa Ligação Jovem, emitido pela Rádio Correio da Kianda, “que grande parte dos jovens não leem e os que leem não sabem ler”.
O assunto foi discutido no painel sobre Educação Religiosa & Educação Africana, que contou também com as participações do pastor Alfredo Tchiwale e do escritor João Landos.
O panafricanista sustentou a sua afirmação dizendo que não fala sobre livros, mas sim sobre a leitura interior, “pois a leitura sobre livros não existe e é um engano, porque a leitura sempre foi sobre a vida e nunca foi sobre livros, a leitura sobre livros é um truque que a mente criou para satisfazer o ego, ou seja é um truque que a mente criou para satisfazer o processo de sobrevivência, por isso é que os grandes mestres espirituais que surgiram nesse planeta, todos eles como Jesus, Sócrates, Imothep entre outros todos eles disseram, conheça a ti mesmo, nenhum deles indicou livros, e até a própria palavra intelecto nos remete a uma leitura interior, pois a palavra vem do latim e diz (Inte-dentro, Lectos-leitura)”.
Por outro lado, o pastor Alfredo Tchiwale disse que a religião não interfere na educação africana, pois a Bíblia não é contra a cultura, mas ressaltou que existem alguns aspectos que vamos encontrar em determinadas culturas que ferem o principio bíblico, “um deles é a poligamia” pois Deus não criou duas Evas nem dois Adão, logo, se uma jovem religiosa se casar onde essa educação é permanente vai colidir, e quando dois princípios não casam cria o jugo desigual”.
Eugénio Faraó, foi mais longe e afirmou que a Bíblia é uma experiência africana que foi invertida, pois segundo o mesmo, até a própria palavra religião do latin (Religio) que quer dizer religar não tem mais de dois mil anos, e enfatizou “que os africanos são os mestres do cosmo, as pessoas têm que perceber isso, por isso é que antes tínhamos grandes kilongos de iniciação que chamamos escolas de iniciação, nos kilongos que era o Efiko e o Ekuendje você não era ensinado a ler livros, a nossa educação era profunda, era espiritual, na Finlândia as cadeias foram alugadas porque não tem presos porque eles investiram muito na educação espiritual e cultural, porque a espiritualidade é expressada através da cultura de cada povo ”.
O panafricanista disse ainda que os africanos são povos “sem educação por causa da religião, pois a religião não é dos africanos e quando um povo é educado com os preceitos de outros povos, este povo fica deseducado”.
“Não existe maior ferramenta de psicologia do que a cultura de um povo, porque toda cultura é um sistema de iniciação e todo sistema de iniciação é um sistema de pensamento, todo o sistema de pensamento gera comportamento, e o comportamento é a psicologia em acção”, disse.
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