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Polícia fala em arruaceiros, mas admite que MEA manteve-se pacífico na marcha pela educação

A manifestação convocada este sábado, 19, pelo Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA), em protesto contra o aumento das propinas, o custo do combustível e a precariedade da educação no país, terminou antes de alcançar o seu destino.

Embora o manifesto tenha sido lido, o protesto ficou marcado por limitações policiais e por versões contraditórias sobre o seu desfecho.

Segundo o comando provincial de Luanda da Polícia Nacional, a marcha contou com cerca de 800 manifestantes, mas foi interrompida devido à alegada infiltração de “arruaceiros”, que teriam promovido actos de desordem, incluindo apedrejamento, insultos e cenas de nudez pública.

“Entraram no grupo do MEA e começaram a fazer uma série de desacatos. Ameaçavam a ordem pública. A polícia teve de criar uma barreira de contenção”, disse o porta-voz da corporação, Nestor Goubel.

O oficial reforçou que a postura da polícia foi “calma e tolerante”, sublinhando que não foi utilizado gás lacrimogéneo, nem se registaram confrontos diretos, apesar do clima tenso.

“A polícia hoje deu mostras de que tem bastante experiência. A nossa actuação foi contida, mesmo com provocações visíveis”, afirmou Goubel, informando que 1.500 agentes, incluindo da PIR, foram mobilizados para garantir a ordem.

Por outro lado, a direção do MEA, em declarações ao Correio da Kianda, afirmou que os objetivos da manifestação foram alcançados, com a leitura pública do manifesto, e que não houve envolvimento do movimento com qualquer acto de vandalismo.

“Lemos o manifesto e voltámos para casa. A polícia comportou-se bem. Não obedecemos à ordem de ir para o Sueto porque era ilegal. Cumprimos o itinerário combinado”, afirmou Francisco Teixeira, presidente do MEA.

Activistas, estudantes, encarregados de educação, zungueiras, taxistas, músicos e membros da oposição estiveram entre os participantes da marcha, que saiu do Largo do São Paulo com destino ao Ministério das Finanças, mas foi interrompida no percurso pelo controlo policial.

Os cânticos “livro, carteira, saúde e educação” marcaram o tom da manifestação, refletindo o descontentamento com a deterioração das condições sociais e o aumento do custo de vida.

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