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RECUPERAÇÃO DA ECONOMIA: CTA insiste na melhoria do ambiente de negócios

A vigésima edição da Conferência Anual do Sector Privado (CASP) voltou a juntar na mesma sala o Governo e a classe empresarial, num momento em que Moçambique procura consolidar reformas estruturais, recuperar dinamismo económico e relançar a confiança dos investidores nacionais e internacionais.

Com efeito, o Governo comprometeu-se a criar condições para atrair mais investimentos e impulsionar a produção e produtividade nacional, destacando que “um Estado moderno é aquele que facilita e não trava o desenvolvimento”. 

A prioridade, segundo avançou o Chefe do Estado moçambicano, Daniel Chapo, é construir uma economia capaz de gerar riqueza e emprego com base na inovação, industrialização e fortalecimento das Pequenas e Médias Empresas (PME).

Para isso, o Executivo garante acelerar a digitalização dos serviços públicos, simplificar procedimentos administrativos e criar maior transparência na gestão fiscal e aduaneira.

O objectivo é transformar o ambiente de negócios mais previsível, com regras claras e uma relação mais equilibrada entre o Governo e o sector produtivo.

As reformas em curso incluem a implementação de sistemas electrónicos de licenciamento, o reforço da fiscalização das finanças públicas e a revisão de políticas fiscais consideradas desajustadas à realidade actual.

Aposta-se, igualmente, na reestruturação de instituições estratégicas e na criação de incentivos para sectores com elevado potencial de geração de emprego, como agricultura, indústria transformadora e turismo.

Durante a CASP, Daniel Chapo sublinhou que a modernização administrativa, a revisão do sistema fiscal e o fortalecimento da segurança jurídica são pilares centrais da agenda económica do Governo.

Pretende-se, ainda, reduzir o peso da burocracia, simplificar processos e garantir maior previsibilidade regulatória. O objectivo é assegurar que o sector privado desempenhe um papel mais dinâmico na criação de riqueza e emprego.

Em relação aos serviços públicos, pretende-se apostar na integração de plataformas electrónicas para reduzir custos e acelerar procedimentos.

Com estas medidas, o Executivo espera eliminar a multiplicação de inspecções e licenças, que ao longo dos anos têm sido apontadas como entraves à actividade empresarial.

A unificação das inspecções económicas é outro ponto relevante com vista a evitar a sobreposição de competências e combater cobranças informais, uma das principais inquietações do sector empresarial. 

Para tornar o Estado mais leve e funcional, vai-se contribuir para o aumento da produtividade e formalização das Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME).

Enquanto isso, a revisão do sistema tributário é vista como fundamental para aliviar a carga sobre as empresas e garantir maior justiça fiscal. Entre as propostas em estudo estão a simplificação do IVA, redução de custos sobre bens essenciais e a criação de incentivos fiscais para sectores estratégicos.

MECANISMO DE MONITORIA

Para garantir a monitoria e cumprimento das reformas, o Presidente da República anunciou a criação do Observatório do Ambiente de Negócios (OAN), mecanismo que irá reunir, mensalmente, instituições públicas e sector privado para acompanhar as reformas desta e das próximas edições da CASP, de modo a acelerar a transformação das recomendações em medidas concretas.

O Chefe do Estado fez, igualmente, referência às medidas em implementação para melhorar o ambiente de negócios, como a operacionalização do Fundo de Garantia Mutuária, com 40 milhões de Dólares já disponíveis, cuja meta é alcançar 120 milhões; a revisão do IVA, incluindo isenções para os produtos da cesta básica; a criação do Fundo de Recuperação Económica; o lançamento do Fundo de Desenvolvimento Económico Local, já em execução em todos os distritos; a aprovação do Plano de Recuperação e Crescimento Económico, avaliado em 2,75 mil milhões de Dólares e a disponibilização de 45,5 milhões de Euros destinados ao agro-negócio.

Principais frentes de reforma do Governo

  • Digitalização de serviços e unificação das inspecções económicas;
  • Simplificação do IVA e criação de incentivos a sectores produtivos;
  • Celeridade nos tribunais e reforço da segurança jurídica; 
  • Eliminação de taxas redundantes e promoção da transparência;
  • Harmonização das políticas económicas entre ministérios. 

As propostas da CTA

  • Simplificação do IVA, revisão do IRPC e actualização do ISPC;
  • Digitalização de processos; 
  • Investimento em infra-estruturas logísticas;
  • Políticas de incentivo e qualificação profissional;
  • Acesso ao crédito (PME), conteúdo local e concursos públicos;
  • Uso para investimento produtivo e industrialização.

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