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Crise internacional pressiona economia angolana e Executivo prepara medidas

O Governo de Angola anunciou que está a estudar medidas económicas para responder aos efeitos da crise internacional, marcada pela subida dos preços do petróleo, combustíveis e fertilizantes, num contexto de crescente pressão sobre a economia nacional.

A informação foi avançada pelo ministro do Ministério do Planeamento, Vítor Hugo Guilherme, durante a apresentação do relatório sobre as Perspectivas Económicas Regionais da África Subsariana, promovida pelo Fundo Monetário Internacional, em Luanda.

Segundo o governante, o Executivo acompanha com preocupação os efeitos da conjuntura internacional, agravada pelo conflito no Médio Oriente e pelo bloqueio do estreito de Ormuz, factores que têm provocado instabilidade nos mercados internacionais e impacto directo nos custos dos combustíveis, fertilizantes e outros produtos essenciais.

“Oportunamente vamos anunciar as medidas que estão a ser estudadas em função da crise”, afirmou Vítor Hugo Guilherme, sublinhando que as decisões serão tomadas de forma cautelosa e ajustadas às dificuldades enfrentadas pelos empresários e pela economia nacional.

O ministro reconheceu que várias das conclusões apresentadas pelo FMI coincidem com as preocupações do Executivo angolano, embora tenha defendido que as recomendações das instituições financeiras internacionais devem ser encaradas como contributos técnicos e não como orientações automáticas para a tomada de decisões.

Durante o encontro, o FMI alertou que Angola entra neste período de turbulência económica com as suas “almofadas fiscais exauridas”, recomendando maior contenção das despesas públicas, redução do endividamento e aproveitamento estratégico das receitas petrolíferas.

O relatório destaca ainda os riscos associados à dependência do petróleo e à vulnerabilidade das economias africanas face às crises externas.

Na mesma sessão, o responsável do Banco Nacional de Angola, Domingos Pedro, admitiu a possibilidade de redução de impostos aduaneiros como forma de aliviar a pressão sobre os preços. Contudo, o ministro do Planeamento mostrou reservas quanto à medida, argumentando que o país fez “um esforço muito grande” para aumentar a produção interna.

“Não queremos perder esse ganho em favor do incentivo à importação”, frisou.

O Executivo mantém, entretanto, divergências com o FMI relativamente às perspectivas de crescimento económico do país para 2026. Enquanto o Governo prevê um crescimento de 4,2 por cento, o Fundo Monetário Internacional estima apenas 2,3 por cento, diferença que Vítor Hugo Guilherme atribui ao momento distinto em que as avaliações foram realizadas.

Especialistas alertam que o agravamento da crise internacional poderá continuar a pressionar o custo de vida em Angola, sobretudo nos sectores dependentes de importações e de matérias-primas externas.

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