O economista Pedro Cajamba afirmou esta segunda-feira, 25, no “programa Radar de Ideias da Rádio Correio da Kianda”, que o salário mínimo pode funcionar como incentivo à criação de empregos, dependendo do contexto económico e da produtividade.
Questionado sobre o salário mínimo ajuda ou prejudica a criação de postos de trabalho, Cajamba explicou que é essencial considerar o poder de compra e a capacidade produtiva das empresas.
Segundo o economista, quando os empresários argumentam que o salário mínimo é elevado, isso pode levar a situações de baixa produtividade ou até subemprego, com trabalhadores a desempenharem funções de reduzida eficiência.
Cajamba defendeu que os salários devem aumentar de forma alinhada com a produtividade, sublinhando que a economia angolana enfrenta desafios significativos nesta área.
“O grande problema da economia angolana passa pela baixa produtividade”, afirmou.
O economista destacou ainda a importância do investimento das empresas na formação e capacitação dos trabalhadores, mesmo após a sua entrada no mercado de trabalho, de forma a melhorar o desempenho e a competitividade.
Para Pedro Cajamba, o desequilíbrio entre salários, produtividade e capacidade das empresas de cumprir compromissos financeiros continua a ser um dos principais entraves à criação sustentável de empregos no país.
Por sua vez, o especialista em economia do desenvolvimento, Celestino Lumbungululu afirmou que Angola ainda não possui uma economia plenamente sustentável, devido a fragilidades estruturais que continuam a afetar o crescimento do país.
Segundo o especialista, apesar de alguns indicadores positivos, persistem desafios de instabilidade macroeconómica, incluindo níveis elevados de inflação, o que contribui para a pobreza e condições de vida precárias para muitas famílias.
O economista considera que a economia nacional ainda é pouco organizada e altamente dependente de poucos setores, defendendo a necessidade de maior coordenação e reformas estruturais para garantir um crescimento mais estável.
Como solução, destacou o apoio do Governo ao financiamento de pequenos empreendedores para aumentar a empregabilidade e dinamizar a economia, além da aposta na diversificação.
Alertou ainda que, sem essa diversificação, o país continuará dependente do petróleo, defendendo a aposta na agricultura e no turismo como alternativas essenciais.
Por fim, sublinhou que o combate à pobreza e à insegurança alimentar deve ser uma prioridade permanente para alcançar o desenvolvimento sustentável.
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