O Governo angolano reafirmou a intenção de transformar o sector marítimo num dos principais pilares da diversificação da economia nacional, com foco na valorização do potencial costeiro, pesqueiro, energético e logístico do país.
A posição foi defendida pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, esta quinta-feira, 25, no Namibe, durante a abertura da Conferência Nacional sobre o Trabalho Marítimo, que decorre em Moçâmedes.
Segundo o governante, Angola dispõe de condições naturais estratégicas, incluindo cerca de 1.650 quilómetros de costa atlântica e portos comerciais com relevância nacional e regional, factores que podem impulsionar o desenvolvimento da economia azul.
José de Lima Massano reconheceu, no entanto, que o sector ainda está aquém das suas potencialidades, apesar dos avanços registados nos últimos anos, com destaque para a modernização das infra-estruturas portuárias, o aumento da movimentação de carga e o crescimento da actividade pesqueira.
O ministro referiu ainda que estes progressos acompanham o desempenho recente da economia nacional, que registou um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,32% no primeiro trimestre, enquanto o sector não petrolífero cresceu acima dos 6%.
Apesar disso, alertou para a fraca exploração de áreas como a construção e reparação naval, produção de equipamentos e desenvolvimento de artefactos de pesca, o que mantém o país dependente da importação e limita a criação de valor acrescentado e emprego qualificado.
“Este é um desafio nacional que devemos assumir com ambição, visão estratégica e sentido de futuro. Não basta explorar os recursos do mar, é necessário transformá-los em indústria, inovação e conhecimento”, afirmou.
O governante defendeu o reforço da formação e certificação dos profissionais marítimos, o investimento na investigação científica e o estímulo à aquicultura, como caminhos para o fortalecimento do sector.
Para José de Lima Massano, a construção de uma indústria marítima nacional é essencial para gerar riqueza, emprego e reduzir a dependência económica do país.
O ministro destacou igualmente a importância da recente entrada em vigor da Convenção do Trabalho Marítimo de 2006 (MLC 2006), que reforça a protecção dos trabalhadores do sector e alinha Angola com padrões internacionais de segurança e qualificação profissional.
O Executivo considera que a aposta na economia azul faz parte da estratégia mais ampla de diversificação económica, com vista a reduzir a dependência do petróleo e criar novas fontes sustentáveis de crescimento.
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