Texto de Edilson Munguambe, economista
1. Introdução
Moçambique possui uma das maiores reservas de gás natural da África Subsaariana, estimadas em mais de 180 triliões de pés cúbicos localizados principalmente na bacia do Rovuma.
O país dispõe ainda de significativo potencial hidroeléctrico superior a 18 GW, elevado potencial solar com radiação média entre 5 e 7 kWh/m²/dia e vastos recursos de biomassa (IEA, 2024). Entretanto, apesar desta riqueza energética, Moçambique mantém-se como um importador líquido de combustíveis em cerca de 90% (IEA, 2024). A crise recente de combustíveis revelou de forma evidente a fragilidade estrutural do sistema energético nacional.
Em várias províncias regista-se escassez prolongada de combustíveis, longas filas nos postos de abastecimento, aumento significativo dos preços dos transportes e dificuldades logísticas na agricultura e comércio, factores que contribuíram para o aumento da pressão inflacionária e redução da actividade económica.
2.Causas da ineficiências na cadeia nacional de distribuição de combustíveis e seu impacto no consumidor final.
A cadeia nacional de distribuição de combustíveis em Moçambique apresenta fragilidades estruturais que, complementadas com a crise de divisas que restringe a capacidade de importação, comprometem a segurança energética nacional, aumentam os custos logísticos e contribuem para o encarecimento dos combustíveis no mercado doméstico.
Estas ineficiências resultam principalmente da limitada capacidade de armazenamento estratégico, da forte dependência do transporte rodoviário, da reduzida integração ferroviária e da concentração geográfica das infraestruturas logísticas nos principais portos do país.
A capacidade nacional de armazenamento permanece relativamente reduzida face às necessidades de consumo doméstico. Segundo dados da PETROMOC (2023) e da Autoridade Reguladora de Energia (ARENE, 2024), o Porto de Maputo/Matola possui a maior capacidade de armazenamento do país, estimada em cerca de 250 milhões de litros.
O Porto da Beira dispõe de aproximadamente 140 milhões de litros, enquanto o Porto de Nacala possui capacidade próxima de 80 milhões de litros. No total, a capacidade nacional instalada situa-se entre 470 e 500 milhões de litros. Apesar desta capacidade, o actual nível de consumo nacional implica que as reservas existentes seriam suficientes para apenas algumas semanas de abastecimento em caso de interrupção das importações.
Considerando que o consumo nacional médio mensal ultrapassa 180 milhões de litros de combustíveis líquidos, as reservas actuais encontram-se abaixo das recomendações internacionais de segurança energética estabelecidas pela Agência Internacional de Energia (IEA, 2024), que sugerem reservas equivalentes a pelo menos 60 a 90 dias de consumo líquido. Leia mais…
O conteúdo Lições da crise de combustíveis emMoçambique e medidas estratégicaspara a auto-suficiência energética aparece primeiro em Jornal Domingo | Compromisso com os factos.














Deixe um comentário